2 setembro 2014
Categoria: NeuroNews
2 setembro 2014,
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Por Fernando Morgadinho **

amyloid-plaques

Neste interessante artigo intitulado – Sleep Quality and Preclinical Alzheimer Disease – os autores estudaram algumas características do sono em uma maioria de pacientes em seguimento com queixa de memória. A hipótese dos autores é de que as alterações do sono podem estar relacionadas com o maior depósito de amiloide.

Foram estudados, em um estudo transversal de 2 anos, um total de 142 pacientes, sendo 124 deles recrutados de um centro de referencia para Alzheimer em Washington. O estudo de sono foi realizado com a avaliação de 14 dias consecutivos de actigrafia, foi dosado no líquido cefalorraquiano o nível de beta amiloide, além da avaliação da presença do alelo APOEε4.

Os autores encontraram uma interessante associação entre os baixos níveis de beta amiloide e a baixa qualidade de sono. Uma interessante discussão é feita no artigo com teorias sobre as possíveis influências do sono no mecanismo fisiopatológico da Doença de Alzheimer.

Embora os achados tenham sido muito interessantes, algumas críticas merecem ser feitas. A actigrafia não é a melhor maneira de avaliar o sono. Assim, doenças do sono como a síndrome da apneia obstrutiva do sono, e outras, não foram caracterizadas por este método e podem ter influenciado, em muito, os resultados. A baixa qualidade de sono pode ser causa ou consequência de doenças degenerativas do sistema nervoso central. A avaliação do padrão e do tempo total de sono prévios, numa abordagem mais prospectiva, poderá nos direcionar para uma possível relação entre padrão de sono e evolução da doença.

LINK

Ju et al. Sleep Quality and Preclinical Alzheimer Disease. JAMA Neurology 2013.

 

** Prof. Fernando Morgadinho é docente do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia e Vice-Chefe da Disciplina da Neurologia da UNIFESP.

Fonte da imagem: www.wikimedia.org.