17 agosto 2014
Categoria: NeuroNews
17 agosto 2014,
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Por Paulo Bertolucci **

Muito se tem falado sobre a deficiência de vitamina D e doenças neurológicas, mas pesquisas rigorosas neste campo não são tão freqüentes. Um subestudo do “Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC) Study” foi publicado recentemente na revista JAMA Neurology. Este estudo longitudinal incluiu 1934 participantes de uma amostra de 15792 em 4 comunidades, com idade a partir dos 55 anos. Foi realizada ressonância de crânio, repetida após um período de 10 a 11 anos, e dosada a vitamina D quando do primeiro exame.

Com exclusão por dificuldades técnicas e intercorrências como acidente vascular, restaram 888 participantes para análise. As imagens foram analisadas para isquemias e alterações da substância branca, particularmente freqüentes nesta faixa etária. Não foi verificada relação entre baixos níveis de vitamina D e a prevalência de alterações no diagnóstico por imagem. Do mesmo modo, baixos níveis de vitamina D no exame inicial não tiveram relação com a incidência de alterações ou mudanças no volume da substância branca.

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Estes resultados indicam que otimizar a vitamina D não parece ter impacto sobre a ocorrência de infartos subclínicos e preconizar esta postura como uma forma de prevenir eventos vasculares não tem confirmação objetiva.

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Michos et al. Vitamin D and Subclinical Cerebrovascular DiseaseThe Atherosclerosis Risk in Communities Brain Magnetic Resonance Imaging Study. JAMA Neurology 2014.

 

** Prof. Paulo Bertolucci é Professor Associado Livre-Docente do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo, chefe do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia e do Ambulatório de Neurologia do Comportamento da Neurologia UNIFESP.